sábado, 11 de dezembro de 2010

Porta-Retrato - Caio F.

Tinha secado: esse era talvez o ponto. Não a palavra exata, que já não tinha essas pretensões, mas a mais próxima. Sabia pouco a respeito de árvores, ou sabia de um jeito não-científico, desses de tocar, cheirar e ver, mas imaginava que o processo interno de ressecamento começasse bem antes da morte aparecer no verde brilhante das folhas, na polpa dos frutos ou na casca do tronco. Não era evidente nem externo ou explícito o que padecia. E padecia? perguntava-se detalhando os traços com as pontas dos dedos, nada que revelasse na umidade da boca ou num contorno de nariz — uma dor? Não era assim. Gostaria de voltar atrás, com sentimentos curtos e claros feito frases sem orações intercaladas, iluminar aos poucos, um mineiro, uma lanterna, o poço fundo, uma linguagem? A unha batia contra o dente. Contatos assim: uma coisa definida chocando-secom outra definida também. E não só contatos, emoções, linguagens. Quase analfabeto de si mesmo, sem vocabulário suficiente para explicar-se sequer a um espelho. Não queria assim, esses turvos. Não queria assim, esses vagos. Sem nenhum humor. Sem nada que pulsasse mais forte que o frio cuidado com que desordenava-se, um gole disciplinado de vodca quando alguma corda do violino rebentava em plena sinfonia e, no meio do palco, impossível deter o acorde. Unicamente imagens assim lhe ocorriam, essa coisa das árvores, das gramáticas, das minas, dos concertos. Elegantemente, sempre. As luvas brancas, as longas pinças esterilizadas com que tocava sem tocar o todo, o tudo e o si. Um vício que lhe vinha quem sabe da mania de ouvir música erudita, mesmo enquanto apenas vivia, antes os fones nos ouvidos que os gritos na vizinhança. E por mais que afetasse um ar de quem lentamente cruza as pernas em público, puxando com cuidado as calças para que não amarrotassem, saberia sempre de sua própria farsa. Tão consciente- mente falsa que sua inverdade era o que de mais real havia, e isso nem sequer era apenas um jogo de palavras.A grande mentira que ele era, era verdade. Ou: a mentira nele nunca fora fraude, mas essência. Seu segredo mais fundo e mais raso, daí quem sabe a surpresa branca de quando ouvira um quase-amigo dizer que não passava de uma personagem. Prometera-se sentimentos sem intercalados, mas sentia agora uma necessidade de explicar ao ninguém que superlotava sua constante platéia, com ele sempre fora assim: quase-amigos, nada de intimidades. Mas voltando atrás no ir adiante: uma surpresa quê. Não, não uma surpresa quê. Uma não-surpresa surpreendida, pois como e porque se fizera visível e dizível naquele momento o que nem sequer alguma vez escondera? Perdia-se, não eram teias. Nem labirintos. Fazia questão de esclarecer que sua maneira torcida não se tratava de estilo, mas uma profunda dificuldade de expressão. Por esse lado, quem sabe? As emoções e os pensamentos e as sensações e as memórias e tudo isso enfim que se contorce no mais de-dentro de uma pessoa — tinham ângulos? Havia lados mais como direi? Fragmentava-se: era os pedaços descosturados de uma colcha de retalhos. Pedia atenção aqui, por favor, mais por gestos, entonações ou simplesmente clima, e regirava: era os retalhos, um por um, não a colcha, ele. Desde o xadrez vermelho ao cetim roxo sem estampa, e assim por diante, todos. Quase parava de aborrecer-se então, como quem troca súbito uma peça para violino e cravo por um atabaque de candomblé. O leve tédio suspenso como poeira espanada logo voltava a desabar. O bocejo era a compreensão mais amarga que conseguia de si mesmo. E posto isso, cabia a seguir qualquer atitude desesperada como casar, tentar o suicídio, fazer psicoterapia ou um concurso para o Banco do Brasil.Localizava-se, mais fácil assim, dando nome às coisas. Um entusiasmo tênue como o gosto de uma alface. Isso, estar, ser. Uma vontade de interromper- se aqui, paladar estragado pelo excesso de cigarros tentando inutilmente dar um nome ao gosto que fugia entre os dentes. Em algum quarto, há muito não sabia de línguas no seu corpo, ou tão sabidas tinham se tornado que. Vacilava entre a certeza quase absoluta de estar alcançando qualquer coisa próxima de uma sabedoria inabalável, alta como um minarete, gelada como um iceberg — melhor assim: uma montanha de compreensão sem dor de todas as coisas. Ou, talvez o ponto, nem icebergs, nem minaretes — mas árvore. Inventava com os olhos no ar vazio à sua frente um verde copado de sumarentos frutos, como se diria num outro tempo, se é que alguma vez se disse, dizia sim, dizia agora, desavergonhado e frio. Verde copado de sumarentos frutos. Folhagem de seda lustrosa. Tronco pétreo ancestral. O seco invisível como verme instalado no de-dentro. Impressentível, sob a casca, caminhando lento, questão de tempo, apenas, e semente contendo o galho crispado, mão de bruxa, roendo. Tinha dois olhos duros. Dois olhos grandes de quem vê muito, e não acha nada. Tinha secado, era certamente esse o ponto. Nunca a palavra exata, esclarecera de início. Já não tinha mais essas pretensões.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cartas para Julieta

Ontem eu assisti o filme Cartas para Julieta e simplesmente adorei! Fazia tempo que eu não assistia um filme para me arrancar sorrisos e lagrimas de felicidade. Depois que o filme acabo eu fiquei pensando em uma pessoa que eu deixei em meu passado por medo de tentar algo novo, se eu tivesse perguntado para alguém ou tivesse escrevido para "Julieta" assim como a personagem do filme , mas eu preferi guardar para mim e acabei ficando sozinho com essa duvida horrível que muitas vezes já me tirou o sono. mas será que o amor não tem prazo de validade e que vai passar 50 anos e eu vou continuar perdendo o meu sono algumas vezes por conta disso? Naquela época eu tinha meus 15,16 anos eu era um menino ainda. Hoje vou fazer 21 e acho que não mudou muita coisa, sou ainda o grande sonhador e apaixonado que não se cansa de falar que o amor é lindo e é preciso insisti e não desisti assim como eu fiz no passado. Mas hoje em dia essa pessoa ta muito feliz e é isso que importa.

O estepe

Esses dias eu estive pensando no meu circulo social , é incrível como eu tenho "amigos" (veja bem está entre aspas) que só me procuram quando estão com problemas na família,com o namorado(A) ou simplesmente está sozinho... Cara eu odeio pessoas assim! Só lembra dos "amigos" quando perdem tudo, ai ficam chamando para sair e bebe e fica falando só dos problemas, ai quando arrumam alguém para ter um relacionamento sério simplesmente some sem deixar rastro. Ai você (eu) fica se sentindo um estepe, só lembrando quando tem um problema para resolver. De pessoas assim eu quero distancia.

Deixo o beijo para quem comentar.(k)

domingo, 7 de novembro de 2010

Novembro

Quando criança ficava muito eufórico com a chegada de novembro, pois é o mês do meu aniversário..e sempre acontecia coisas boas nesse mês, eu ganhava muitos presentes e sempre era muito mimado. Mas algum tempo eu venho tentado fugir de novembro assim como eu fugia de agosto(o mês do desgosto, isso é fato) com 14 anos eu comecei a fugir de novembro . Em meu aniversario de 14 anos , minha irmã fez uma coisa nada legal comigo na frente de todos os meus amigos. Foi terrível! Queria um barraco para enfiar a minha cara! Desde então o mês de novembro tem sido um mês ruim. Ano passado eu fiz o meu aniversario em uma casa de praia que por sinal foi muito bom! Mas antes disso o mês de novembro estava sendo uma grande “merda!” Já esse ano estava começando bem, até hoje.. Vou pedir a DEUS que esse dia ruim só tenha sido hoje.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Tosco ¬¬

Porque que todo homem que só pega vadia na vida acha que todo mundo é assim também? Fico de cara com essas coisas. Hoje quando estava na academia o celular tocou e era uma criatura que eu não vejo a muito tempo, e na conversa ele me disse que estava ficando com meninos mas era ativo, na hora não entendi porque ele foi logo falando que era ativo , ai conversa vem e conversa vai ele me perguntou se eu ainda era virgem e se eu fosse se eu não queria experimenta com ele, eu fiquei com tanta raiva que falei o seguinte: Não sei se você ligou para a pessoa certa, mas digamos que sim , então vou ser curto e grosso! Meu querido põe na sua cabeça ninguém é igual toda mulher é diferente e todo homossexual é diferente, mas existem aqueles que assim como você prioriza o sexo. Eu ao lhe devo satisfação da minha vida então passar bem. Fiquei tão chateado que pensei em nem malhar mais, ai tomei um suco e voltei a pegar peso e acabei descontando a minha raiva no saco de areia, odeio pessoas com esse tipo de pensamento, eu fico enojado. Nenhum ex namorado meu me fez tal pergunta. Ai ai essas criaturas... RS’

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Pessoa Errada

Pensando bem, em tudo o que a gente vê, e vivencia, e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente. Existe uma pessoa, que se você for parar pra pensar, é na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa faz tudo certinho: chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas.Mas nem sempre precisamos das coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada. A pessoa errada te faz perder a cabeça, fazer loucuras, perder a hora, morrer de amor. A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar, que é para na hora que vocês se encontrarem a entrega seja muito mais verdadeira.A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa. Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lagrimas, essa pessoa vai tirar seu sono, mas vai te dar em troca uma inesquecível noite de amor. Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar toda a vida esperando você.A pessoa errada tem que aparecer para todo mundo, porque a vida não é certa, nada aqui é certo. O certo mesmo é que temos que viver cada momento, cada segundo amando, sorrindo, chorando, pensando, agindo, querendo e conseguindo. Só assim, é possível chegar aquele momento do dia em que a gente diz: "Graças a Deus, deu tudo certo!", quando na verdade, tudo o que Ele quer, é que a gente encontre a pessoa errada, Para que as coisas comecem a realmente funcionar direito prá gente.Nossa missão: Compreender o universo de cada ser humano, respeitar as diferenças, brindar as descobertas, buscar a evolução.

Luis Fernando Veríssimo

sábado, 23 de outubro de 2010

All Star Preto de cano alto.

Hoje quando eu estava no ônibus voltando para casa eu reparei que tinha duas meninas no banco na frente do meu conversando sobre o gosto musical dos seus namorados um dizia que o namorado gostava de forró e a outra disse que o namorado amava pagode. Mas as meninas eram daquelas que gostam de rock e MPB e elas falavam de seus namorados com se fosse uma doença isso. Logo depois elas se levantaram para dar sinal para descer e eu reparei que uma das meninas usava um all star preto de cano alto e logo lembrei de um passado não muito distante quando eu tinha meus 15 anos e usava um all star preto de cano alto também e namorava com guri que usava um all star preto normal, ele me ensinou a gostar de rock e MPB. Lembro dá primeira vez que eu ouvi a música all star do Nando reis , foi na ponte metálica aqui em Fortaleza. Era final de tarde e eu tinha ido encontrar com ele na ponte com meus all star preto de cano alto. Logo que eu cheguei ele estava sentado na ponte com uma roda de amigos tocando violão. O sol estava se pondo e os seus raios fracos iluminava o rosto do guri e deixa os seus olhos mais verdes e brilhantes do que o de costume, então me sentei ao seu lado e ele começou a tocar All star. “Estranho serei se eu não tivesse me apaixonado por você.” nesse momento eu me senti único ele toca e cantava me olhando e me dava um sorrisinho que deixava o meu corpo todo estremecido. E sempre que eu ouço essa música ou vejo um all star preto de cano alto eu lembro dessa época de minha vida . Eu sempre vou ser o garoto do All star preto de cano alto, mesmo que eu estava com um sapato social básico.